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A Hershey’s "Demitiu" o Coelho da páscoa: Uma Aula de Reposicionamento e Sobrevivência no Marketing


A Páscoa no Brasil é, tradicionalmente, o "Oceano Vermelho" mais sangrento do varejo. De um lado, gigantes como Nestlé e Lacta dominam o share of mind com ovos de chocolate; do outro, o consumidor lida com a "inflação do chocolate", onde o preço por quilo de um ovo chega a ser 4x maior que o de uma barra.


Nesse cenário, a Hershey’s não tentou ser apenas "mais uma opção". Ela executou um movimento de Market Challenger (Desafiante de Mercado) que merece ser estudado por qualquer executivo de marketing.


1. Diagnóstico do Problema: A Ineficiência dos Ovos

Para entender o brilho da estratégia, precisamos olhar para o P&L (Profit and Loss). Produzir ovos de Páscoa é um pesadelo logístico:

  • Volume vs. Valor: Ovos ocupam muito espaço no caminhão e na gôndola, mas entregam pouco chocolate real.

  • Sazonalidade Reversa: O que não vende até o domingo de Páscoa vira prejuízo imediato.

  • Commoditização: Sem o licenciamento de um personagem infantil caro, um ovo de chocolate é apenas chocolate em formato oval.


A Hershey’s percebeu que a margem real estava nas barras. O desafio? Como tornar a barra um "presente de Páscoa" legítimo.


2. A "Capibarra": Branding Cultural e Quebra de Paradigma


A substituição do coelho pela capivara — a Capibarra — é um exemplo clássico de Local Relevance. Enquanto o coelho é um símbolo europeu importado, a capivara é o ícone absoluto da internet brasileira.

  • O "Stop-Scrolling" Visual: Em um mar de embalagens coloridas e coelhos genéricos, uma capivara de 5 metros na Marginal Pinheiros (ou no trem de SP) força o olhar. É a quebra da expectativa.

  • O "Match" de Atributos: A Hershey’s vendeu a capivara como "agregadora", "tranquila" e "amiga de todos". Esses são os mesmos atributos que a marca quer para suas barras de chocolate: um produto para compartilhar, sem a barreira de preço elitista dos ovos.


3. Execução: Do LinkedIn ao OOH (Out-of-Home) | Hershey’s Capibarra




A campanha não nasceu na TV; nasceu no LinkedIn. Ao simular a "contratação" de um novo mascote com o selo #OpenToWork, a marca utilizou o Employee Advocacy e a curiosidade corporativa para gerar mídia espontânea (earned media).

  • Transmídia Real: A jornada começou no digital (vaga de emprego), passou pelo PR (notícias sobre a "demissão" do coelho) e culminou em instalações físicas monumentais em grandes capitais como São Paulo, Recife e Curitiba.

  • Marketing de Guerrilha: Ao instalar QR Codes em capivaras infláveis gigantes, a marca conectou o mundo físico ao funil de vendas digital de forma direta, reduzindo a fricção de compra.


4. Análise de Resultado: O Hack do Ticket Médio

Ao incentivar o consumo de barras em vez de ovos, a Hershey’s consegue:

  1. Aumentar o volume de vendas: É mais fácil vender 5 barras do que 1 ovo de 50 reais.

  2. Fidelização Pós-Páscoa: O consumidor que compra a barra na Páscoa mantém o hábito de compra o ano todo. O comprador de ovos desaparece na segunda-feira.


O case Hershey’s nos ensina que, às vezes, a melhor estratégia de marketing não é gritar mais alto que o concorrente no mesmo canal, mas sim mudar a conversa.

Se você está tentando vender "ovos" em um mercado saturado, talvez o seu negócio precise de uma "Capibarra" — um elemento de diferenciação que conecte a eficiência operacional da sua empresa com a cultura real do seu cliente.

Muitas vezes a solução é igual ao GPS - Mude a rota!


Fagner Ikamaan - CEO e Founder - FIK Digital

 
 
 

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